Nem cremosa, e talvez… nem ale

Cerveja Cream Ale: o estilo que, embora simples, ainda causa confusão

Essa história começa no século XIX. No período pré-prohibition (a lei seca dos Estados Unidos), cervejas lagers de massa começam a dominar o mercado cervejeiro nos norte americano. As bebidas mais leves, com aromas e sabores neutros, refrescantes, caem nas graças do público que já não busca mais por complexidade e sabor diferenciado. A ordem agora é o drinkability.

Sentido o peso da perda de espaço, fabricantes de estilos ale buscam uma alternativa para competir com as lagers americanas. Surge então, a Cream Ale.

Sempre que tento explicar para alguma pessoa o que é esse estilo, uma vez que a Three Hills possui em seu portifólio a Helena, eu sinto uma ponta de decepção por parte do ouvinte.

Acredito que o motivo seja pelo fato do produto não condizer exatamente ao nome do estilo. Ao ouvir o nome cream e ale, muita gente espera uma cerveja cremosa e com um certo éster característico de cervejas de alta fermentação.

Mas é aí que está a pegadinha. A Cream Ale não é nem cremosa e nem esterificada (não a ponto de ser perceptível por todo o público). Como disse no começo do artigo, a ideia era produzir uma cerveja concorrente com as lagers (baixa fermentação), porém, por fabricantes de ale.

Isso é o que chamamos de cerveja híbrida, a exemplo das Kölschs e Altbiers. Originalmente fabricadas com cepas de fermento ale, porém com temperatura de fermentação baixa a fim de gerar o mínimo de esterificação e se aproximar de uma lager, algumas versões passaram a usar fermento lager em temperatura um pouco mais alta (fazendo o inverso da original), ou até mesmo utilizando blends de cepas diferentes.

E essa é a grande brincadeira da Cream Ale. Não há exatamente uma regra de como fabricar. O importante é atingir o objetivo esperado: produzir uma cerveja limpa, bem-atenuada, saborosa, fácil de beber e refrescante, porém com mais corpo do que as típicas american-lagers.

As versões Pre-Prohibition eram inclusive ligeiramente mais fortes, lupuladas (incluindo alguns dry hopping) e mais amargas (25-30 + IBU).

Assim como nas lagers americanas, é muito comum o uso de adjuntos (em torno de 20%), principalmente milho, pra trazer mais leveza e drinkability.

No aroma é esperado notas de malte de médio para médio-baixo, com um aroma doce semelhante ao milho. O aroma de lúpulo na versão tradicional deve ser médio-baixo a nenhum, podendo ser de qualquer variedade. A ideia é produzir um aroma sutil, onde não se predomina nem o malte e nem o lúpulo, com baixo níveis de ésteres a nenhum.

Brilhante, cristalina, de cor amarelo palha a moderado ouro, as cervejas desse estilo tendem a produzir espuma de média formatação e alta carbonatação. Uma cerveja leve e fresca, pronta pra matar a sede.

A Cream Ale Citra Helena, produzida pela Three Hills Cervejaria, se assemelha às versões pré prohibition. Mais aromática e complexa, a cerveja leva uma carga de lúpulo citra na fase fria da produção, o chamado dry hopping. A bebida leva ainda adjunto (flocos de milho), buscando leveza e suavidade no paladar, aliada ao aroma cítrico do lúpulo, tudo de forma harmônica.

Hum, mas será que podemos chamar a Helena de Cream Ale, ou talvez, como já vem sendo divulgado, uma BR-Ale?

Ah mas isso é assunto pra um outro artigo né!

CREAM ALE CITRA HELENA
Estilo: Cream Ale
ABV: 5%
IBU: 14
Cor: Amarelo clássico

Compre aqui sua Helena!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: